7. ECONOMIA E NEGCIOS 24.10.12

1. A CHINA DESCOBRE O RH
2. SEU BOLSO - TIRE PROVEITO DA GUERRA DAS TARIFAS

1. A CHINA DESCOBRE O RH
Aumento no nmero de greves e denncias de violao dos direitos trabalhistas levam a China a rediscutir aumentos salariais e maneiras de proteger o trabalhador
Fabola Perez

 MEA CULPA - A Foxconn declarou que medidas sero tomadas para que os jovens empregados pela empresa voltem  escola
 
Nas ltimas semanas, sob a alegao de que chegaram a trabalhar 180 horas extras em um nico ms, quatro mil trabalhadores de uma das fbricas da multinacional taiwanesa Foxconn, em Zhengzhou, sul da China, decretaram greve por melhorias nas condies de trabalho. A manifestao interrompeu a fabricao de iPhones e iPads da Apple. Dias depois, a empresa reconheceu que os funcionrios estavam trabalhando acima do limite previsto em lei (mximo de 36 horas extras). Admitiu ainda ter empregado adolescentes e crianas com idade entre 14 e 16 anos em suas instalaes. Em Wuhan, tambm h 15 dias, trabalhadores da linha de montagem do Xbox 360 ameaaram suicdio coletivo aps um pedido de aumento negado. A escalada de paralisaes, denncias e ameaas contra a prpria vida, decorrente das violaes trabalhistas e dos baixos salrios oferecidos pelas empresas chinesas, reacendeu o debate no pas comunista sobre os direitos do trabalhador. Nos ltimos anos, j aconteceram algumas melhorias, principalmente em relao  distribuio dos salrios, declarou  ISTO Li Qiang, diretor da ONG de direitos trabalhistas China Labor Watch.

Pressionada, logo aps as denncias de graves violaes dos direitos trabalhistas, a prpria Foxconn declarou que medidas imediatas seriam tomadas para que os jovens empregados pela empresa voltassem  escola. Estamos investigando como isso pode ter acontecido e quais atitudes devemos tomar para que nunca mais se repita, divulgou a companhia. Para Li Qiang, no entanto, o maior desafio das empresas no  apenas reduzir a carga horria dos trabalhadores, aumentar o valor dos vencimentos ou retirar as crianas e os adolescentes do mercado de trabalho, mas descobrir como manter o preo de seus produtos em nveis competitivos seguindo as leis trabalhistas em vigor. O mercado de trabalho chins tem mudado muito, e as empresas que no se adaptarem a essas demandas e no agirem conforme a regulao sero eliminadas, explica. 

Nos ltimos dias, o governo chins tambm anunciou medidas visando a beneficiar os trabalhadores. At 2015, segundo o governo, cerca de 45 milhes de pessoas das zonas urbanas devero entrar no mercado de trabalho. O plano sugere ainda que a China adote uma poltica mais ativa em relao  valorizao dos trabalhadores dentro das empresas e um mecanismo fiscal mais favorvel  promoo dos empregos. Trata-se de fato de um grande avano para os padres chineses. No ltimo ms, o secretrio-adjunto de Relaes Internacionais da CUT, Artur Henrique fez uma viagem  China a convite da Confederao Sindical Internacional (CSI), e gostou do que viu. Ficou clara a preocupao que a China vem tendo em aprovar uma legislao sobre seguridade social, direitos trabalhistas, garantia de pagamento de salrios, e fortalecer a negociao coletiva. Essa  uma tendncia clara de mudana recente dada  importncia cada vez maior que a China vem ocupando no mundo, disse.

Segundo especialistas, a preocupao com o cumprimento da legislao na China teve como marco o ano de 2008, quando foi aprovada uma nova lei trabalhista do pas. Os chineses passaram a se conscientizar de seus direitos de trabalho e mais denncias chegaram aos tribunais, afirmou  ISTO Marie Jos Garot, professora de direito da IE Business School de Madrid. Segundo ela, a legislao de 2008 aproximou a China de pases como Espanha, Itlia e Frana  naes com leis trabalhistas mais rgidas. A partir de janeiro daquele ano, passou a ser obrigatrio a formalizao de contrato por escrito, o pagamento de indenizaes e a garantia de que nenhum trabalhador poderia ser demitido antes do tempo previsto em documento. A professora observa tambm que o governo chins tem incentivado a instalao de empresas nacionais e estrangeiras em regies centrais do pas. Alm de promover o desenvolvimento econmico em outros polos, seria uma alternativa aos trabalhadores migrantes, que em 2011 somavam 252 milhes, um aumento de 4,4% em relao a 2010. Um trabalhador sem permisso de permanncia torna-se mais vulnervel  explorao, explica.


2. SEU BOLSO - TIRE PROVEITO DA GUERRA DAS TARIFAS
Depois da briga pela reduo dos juros, chegou a vez de os bancos cortarem as tarifas. Saiba como no pagar alm do que consome e descubra quais so os servios gratuitos
por Fabola Perez

A segurana financeira e os inmeros benefcios oferecidos pelas instituies bancrias podem custar caro. Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, o ganho dos bancos com tarifas, ponderado pelo nmero de clientes, cresceu 33% no segundo semestre de 2012 em comparao ao mesmo perodo do ano passado. Para o especialista em finanas da Universidade de So Paulo e da Fundao Vanzolini, Wilson Miceli, operaes simples devem contar com uma reduo tarifria. O cliente que faz investimentos e contrata seguros  favorecido com descontos e isenes. J aquele que no consome muitos produtos financeiros  prejudicado com a cobrana de tarifas altas, explica.

Em muitos casos, as instituies bancrias chegam a dificultar a contratao dos pacotes de servios gratuitos pelos clientes. O problema  que os bancos no elaboram pacotes tarifrios apenas com servios gratuitos, sempre esto embutidos servios pagos que no so do interesse do consumidor contratante, observa Henrique Guimares, advogado especialista em direito bancrio. Abaixo, confira os direitos e deveres do consumidor bancrio e como administrar as tarifas.

